Apresentação
Uma certa urgência de pôr tento à imaginação evitando que continuasse a arquitectar projectos para os quais já não havia grandes probabilidades de concretização obrigou-a a rumar até aos arquivos da memória onde, como é natural, pôde expandir-se mais à vontade, já que nestes espaços havia algum material disponível.
No entanto, como os olhos e os ouvidos foram gravando ao longo da vida o que viram e ouviram sem qualquer critério quanto a possíveis interesses futuros, mal fora iniciada a pesquisa e todas as recordações vieram, como que em catadupa, à tona. E tal como as conversas se entrelaçam umas nas outras à maneira das cerejas, também no caso presente o mesmo sucedeu aos assuntos.
Discernir da amálgama o que poderia ter algum interesse, tornou-se tarefa difícil; daí que, a solução, fosse procurar dar um titulo e um corpo a essa miscelânea. Dos vários nomes em vista o que pareceu mais asado para o efeito, até pelas conotações encontradas, foi “Veredas da Gardunha”.
Bastará determo-nos um pouco sobre a existência do ser humano para verificar que ela é um constante peregrinar através do tempo. Se umas vezes os caminhos são fáceis de palmilhar, como estradas correctamente abertas e sinalizadas que parecem encurtar as distâncias – paz, amizades, saúde, sucessos nos empreendimentos, enfim, felicidade - muitas outras vezes são veredas tortuosas e cheias de obstáculos que, por mal andamosas, parecem tornar as jornadas mais longas, quase intermináveis: guerras, doenças, perda de familiares e de amigos, insucessos...
Quanto ao complemento Gardunha é porque a Serra, para mim, é uma das ligações de maior afeição! Como a grande parte dos meus avoengos, foi encostada a ela que nasci; foi à sua sombra que palmilhei os diversos caminhos da vida e possivelmente será também aos seus pés que ficarei dormindo o último sono.
No que respeita ao conteúdo do corpo é um trabalho desajeitado, com várias faces que, se fosse possível dar forma material à ideia, não se encontraria na geometria figura que se lhe assemelhasse. Todavia nada melhor foi possível amanhar.
Embora há muito tivesse em mente outros projectos – mostrar alguns retratos de quando o Fundão era vila – eram, sobretudo, os momentos marcantes da existência deste povo laborioso, do Fundão, que repousa agora à sombra dessa serra, que não queria deixar no esquecimento, assim como alguns locais por onde caminhou e actividades que fizeram parte do seu dia a dia.
Quanto a outros assuntos que a seu tempo deverão aparecer, se servirem, já que mais não seja – o que de alguma forma os torna proveitosos – para descontrair e pôr em movimento alguns músculos da face, neste tempo que de tão sombrio é apenas propício a vincar rugas, valeu a pena.
Para início da apresentação deste trabalho impôs-se-me, no entanto, como dever, trazer à lembrança de alguns e ao conhecimento de muitos, alguém que dedicou ao Fundão toda a sua vida: Celestino Tavares Monteiro. Pela importância da obra realizada durante a sua Administração como Presidente da Câmara foi, sem dúvida, a pessoa que mais contribuiu para que o Fundão pudesse ser a cidade que é hoje.

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